O “Sim à vida” por Stephan Hausner

O “Sim à vida” por Stephan Hausner

O “Sim à vida” através dos pais e através dos antepassados é, para muitos pacientes, um processo difícil. Alcança-se através do assentimento aos pais tal qual como eles são e assentindo também à história da família em cujo seio nascemos. Este processo é conseguido independentemente do contacto ou da qualidade da relação com os pais ou avós. Ele é também um processo possível para quem não conhece nem os seus pais, nem as suas famílias, já que nele se pode assentir à sua própria pessoa, ao seu destino pessoal e à situação de vida na qual se encontra. (…)
A experiência mostra que frequentemente o primeiro passo para a solução de um problema ou para a cura de uma doença é o de assumir a parte de responsabilidade própria nesse tema. Segundo a minha observação, a força para este passo está relacionada com a disposição para assentir aos pais e à própria família de origem. Este “Sim” aos pais e à família é como um “Sim à vida” e para mim, como terapeuta, uma condição prévia para que eu concorde em realizar uma constelação com um paciente.
A minha experiência no trabalho com constelações com doentes é a de quando um paciente não está disposto a dizer “Sim” à sua situação actual, frequentemente sequer está disposto, ou não é capaz de aceitar aquilo que na constelação se mostraria como movimento em direcção à solução. Nestas circunstâncias, trabalho primeiro a capacidade e a disposição do paciente para este “Sim”.

Texto extraído de Stephan Hausner (2011). Aunque me cueste la vida: Constelaciones sistémicas en casos de enfermedades y síntomas crónicos. Alma Lepik Editorial

Tradução do espanhol por Eva Jacinto

 

A. Calder (1944), "Under the red sun"

A. Calder (1944). “Under the red sun”

A felicidade acontece-nos

A felicidade acontece-nos

A felicidade

Nos dias 29 e 30 de Junho de 2024, Joan Garriga estará no Porto para conduzir um workshop de constelações intitulado “Constelar a Vida”, título também do seu mais recente livro – Constelar la Vida (2024) -, onde irá abordar os grandes temas da viagem da vida, as constantes que pautam a nossa viagem existencial: vínculo, reciprocidade nas relações e lugar de pertença de cada um.

JOAN GARRIGA – WORKSHOP_PORTO, 2024

JOAN GARRIGA – WORKSHOP_PORTO, 2024

Um workshop aberto a todos. Apropriado para pessoas interessadas no seu desenvolvimento pessoal, para pessoas que desejem trabalhar assuntos problemáticos das suas vidas, tais como dificuldades nos relacionamentos (familiares, de casal, laborais), temas relativos a doenças, luto, comportamentos aditivos, difíceis ou destrutivos, padrões de infelicidade, etc.
Indicado também para pessoas que se dedicam a profissões de ajuda e que tenham interesse em aprender sobre a abordagem da visão sistémica e das constelações familiares com utilidade para o seu trabalho.

Brevemente estarão disponíveis as inscrições para o workshop de constelações familiares dirigido por Joan Garriga no Porto, nos dias 29 e 30 de Junho 2024.

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JOAN GARRIGA - PORTUGAL, PORTO, 2024

Workshop com Joan Garriga – Porto 2023

Workshop com Joan Garriga – Porto 2023

Há, portanto, uma dialéctica básica entre a realidade e o eu (ou a mente que se infiltra colonizando e tomando posse por completo do eu). É uma arte conseguir que essa dialéctica se converta num diálogo criativo e fértil que nos impulsione e nos leve por caminhos de alegria e não de infelicidade. Por caminhos de vida e não de morte. Joan Garriga (1)

Há precisamente uma semana, noventa e cinco pessoas vieram ao Porto para participar num workshop de constelações familiares, magistralmente conduzido por Joan Garriga – um dos psicólogos mais influentes em Espanha e na América Latina e um dos mais brilhantes psicoterapeutas a manejar esta ferramenta –  constelações familiares.
Noventa e cinco presentes, muitos mais os convocados. Com efeito, Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma? (O. Wilde, 2).

Com o que é que trabalhamos quando trabalhamos com as constelações familiares? Com enredos, implicações sistémicas, intricações despercebidas, férreas lealdades, desordens, realidades por integrar, interacções infelizes. Uma palavra que enquadre tudo isto – relações.

Segundo o dicionário, uma constelação é “um grupo de estrelas fixas que, ligadas por linhas imaginárias, formam também uma  figura imaginária, a que corresponde um nome especial (3). Continuando com a analogia, qual é aqui este nome especial? É o assunto-problema do cliente, tal como ele o configura (constela). O cliente tem de descrever o seu problema da forma o mais factual e concreta possível e plasmá-lo de forma espacial e corpórea.
Através desta técnica, o cliente é convidado a sair dessa “caixa” de explicações, justificações e projecções que vai contando a si próprio e que o inebria.
Por essa razão, vemos como com delicada firmeza e argúcia, Joan Garriga atalha sempre que o cliente quer descrever, com requintes de detalhe, o seu sofrimento, caracterizar o outro, contar-nos a sua narrativa da história do problema, a qual, se fosse fecunda, já o teria apartado do problema.

Trabalhando no aqui e agora da manifestação fenoménica, a técnica de Joan Garriga estimula a compreensão profunda e a transformação; não permite perder tempo com abstracções e intelectualizações, sabe levar o cliente a centrar-se no seu processo.
Mas não é só o cliente que se entrega: todos os participantes se sentem estimulados a envolver-se activa (mas silenciosamente) nos processos que se desenrolam à sua vista, compreendendo e crescendo por processos de empatia e ressonância que impulsionam a reconhecer-se.

O campo vai permitindo a manifestação das dinâmicas. Uma espera atenta, a participação silenciosa de todos os presentes faz-se sentir, agora Joan opera como um transdutor: com inteligência e sensibilidade vai revelando os sentidos. Com mestria abre e mantém o diálogo com o cliente, aborda com perspicácia e muitas vezes com bom humor os assuntos que o cliente tem persistido em evitar.

Vários psicoterapeutas de renome têm afirmado que o instrumento mais importante de um terapeuta é a sua própria pessoa. Joan Garriga atingiu esse ponto que tal como Irvin Yalom (4) formula: estar familiarizado com o seu próprio lado obscuro, capacita para empatizar com todos os desejos e impulsos humanos. Por isso adoramos aprender, curar e crescer com Joan Garriga.

Nota final: sabemos como é agradável (e voyeurista) ver fotografias de eventos como este. No entanto, e considerando que somos uma comunidade pequena, parece-nos que perder esse pequeno prazer compensa face ao respeito e à protecção que as pessoas que tiveram a coragem de trabalhar o seu problema em grupo, merecem.  Ao expor o seu problema ao grande grupo possibilitaram assim que muitas pessoas obtivessem benefícios através delas. Nunca é de mais agradecer-lhes, preservar a confidencialidade é imperioso. Por isso, não há fotografias de grupos de pessoas com caras alegres e felicidade estampada no rosto ou de representantes tomados pelo campo. Gostamos que seja assim.

EVA JACINTO, 05 Março 2023

Referências

1 Joan Garriga (2021). Decir Sí a la Vida. Ganar Fortaleza y Abandonar el Sufrimiento. Ediciones Destino

2 Oscar Wilde (1897). De Profundis. Relógio d’ Água (2001)

3 Novo Dicionário Lello da Língua Portuguesa (2011). Lello Editores

4 Irvin Yalom (2009). The Gift of Therapy. Harper Collins.

A AJUDA ATRAVÉS DAS CONSTELAÇÕES

A AJUDA ATRAVÉS DAS CONSTELAÇÕES

De uma forma muito simples as constelações expõem um destino no seu contexto, com as suas consequências. Ajudam a “ver” a realidade na existência do cliente e, sendo possível, a preenchê-la de amor, sem pretender influir no que o cliente irá fazer com a sua vida a partir desse conhecimento. Os facilitadores não acompanham, ou fazem-no muito pouco. Não intervêm através de tarefas nem estratégias de controle (embora muitos terapeutas que constelam também o  façam). As constelações oferecem uma visão libertadora do destino actual e ajudam de uma forma sã a pôr ordem nas relações, fazendo-o de modo a que fomente o crescimento e conceda força mediante a aceitação dos pais e dos antepassados. Desta forma confia-se na capacidade própria do cliente para lidar, de maneira responsável e competente, com aquilo que foi “visto”.

Jakob R. Schneider (2009). Constelar familias. Fundamentos y procedimientos. Herder. (Traduzido do castelhano por Eva Jacinto).