O “Sim à vida” por Stephan Hausner

O “Sim à vida” por Stephan Hausner

O “Sim à vida” através dos pais e através dos antepassados é, para muitos pacientes, um processo difícil. Alcança-se através do assentimento aos pais tal qual como eles são e assentindo também à história da família em cujo seio nascemos. Este processo é conseguido independentemente do contacto ou da qualidade da relação com os pais ou avós. Ele é também um processo possível para quem não conhece nem os seus pais, nem as suas famílias, já que nele se pode assentir à sua própria pessoa, ao seu destino pessoal e à situação de vida na qual se encontra. (…)
A experiência mostra que frequentemente o primeiro passo para a solução de um problema ou para a cura de uma doença é o de assumir a parte de responsabilidade própria nesse tema. Segundo a minha observação, a força para este passo está relacionada com a disposição para assentir aos pais e à própria família de origem. Este “Sim” aos pais e à família é como um “Sim à vida” e para mim, como terapeuta, uma condição prévia para que eu concorde em realizar uma constelação com um paciente.
A minha experiência no trabalho com constelações com doentes é a de quando um paciente não está disposto a dizer “Sim” à sua situação actual, frequentemente sequer está disposto, ou não é capaz de aceitar aquilo que na constelação se mostraria como movimento em direcção à solução. Nestas circunstâncias, trabalho primeiro a capacidade e a disposição do paciente para este “Sim”.

Texto extraído de Stephan Hausner (2011). Aunque me cueste la vida: Constelaciones sistémicas en casos de enfermedades y síntomas crónicos. Alma Lepik Editorial

Tradução do espanhol por Eva Jacinto

 

A. Calder (1944), "Under the red sun"

A. Calder (1944). “Under the red sun”

Bert Hellinger sobre assentir

Bert Hellinger sobre assentir

O Assentimento

Quando aceito alguém tal como ele é, ele liberta-se de mim, e eu liberto-me dele. Simultaneamente o meu assentimento une-me a ele. Através do meu assentimento, vem até mim; ele vem, livre, ao meu encontro.

Perante mim não precisa de esconder nada. Não precisa de se esconder porque para mim ele pode ser exactamente como é. O meu assentimento permite que ele se mostre diante de mim. No meu assentimento ao outro, também assinto a mim tal como sou. Dado que assinto a mim mesmo, mostro-me tal como sou, porque o meu assentimento a mim é independente do assentimento dos outros em relação a mim. É certo que o meu assentimento a mim próprio, e uma vez que graças a ele não tenho de esconder nada frente aos outros, também torna mais fácil que os outros assintam a mim. Através do assentimento íntimo a mim mesmo, torno-me igual a eles e não me encontro nem acima nem abaixo deles.

O assentimento é um movimento criativo. O seu efeito permite avançar. Põe algo em movimento. Ao mesmo tempo, supera o que se lhe opõe. Nivela-o. Através do assentimento a mim, aos outros e a tudo no mundo tal como é, as nossas relações tornam-se mais simples, pois estão para além das nossas próprias expectativas e angústias. Tudo se desenrola à sua maneira e ao mesmo tempo está ao serviço de tudo o resto.

O nosso assentimento também assente aos limites, move-se dentro das suas fronteiras. Também assente aos opostos e sintoniza-os entre si. Une-os de forma criativa e fá-los prosperar.

Este assentimento é amor, livre de intenções e livre de temor. Está em sintonia com aquele movimento criativo do qual tudo o que existe toma a sua existência e que, ao assentir, o mantém existindo tal como é. Este assentimento completa — tudo.

Bert Hellinger In Plenitud. La Mirada del Nahual (2010)

Tradução por Eva Jacinto  

A felicidade acontece-nos

A felicidade acontece-nos

A felicidade

Nos dias 29 e 30 de Junho de 2024, Joan Garriga estará no Porto para conduzir um workshop de constelações intitulado “Constelar a Vida”, título também do seu mais recente livro – Constelar la Vida (2024) -, onde irá abordar os grandes temas da viagem da vida, as constantes que pautam a nossa viagem existencial: vínculo, reciprocidade nas relações e lugar de pertença de cada um.

Culpa e Inocência

 Sophie Hellinger…

…num recente seminário internacional, em Bad Reichenhall (Alemanha), disserta sobre a atribuição de culpa e a assunção do papel de inocente.
Quem se eleva ao estatuto de inocente, sentindo-se continuamente prejudicado e reclamando continuamente por  reparação, coloca-se numa posição de poder, que lhe confere o senso de sentir-se sempre desobrigado de amar e respeitar.
Um jogo interminável e perigoso.
 
(vídeo em alemão com tradução simultânea em inglês)