Este é o artigo breve que elaborei originalmente, em Outubro de 2024, para a Wikipédia em português, em espanhol e em inglês. Apesar do conteúdo ser factual e bem fundamentado, foi truncado, editado por quem não conhece o tema e acabou proposto para eliminação sob o pretexto de ‘conflito de interesses’. Decidi publicá-lo aqui, no meu site, na sua forma integral e sem alterações externas, para que permaneça acessível a todas as pessoas interessadas. Ele pode ser lido em português, em espanhol e em inglês
Eva Jacinto
Nome completo: Joan Garriga Bacardí
Nascimento: 28 Novembro 1957 em Bellpuig, Lérida, Catalunha - Espanha
Joan Garriga BacardÍ é um psicólogo e psicoterapeuta gestáltico e humanista. É conhecido por ser um dos principais expoentes da abordagem das constelações familiares nos países de língua espanhola e por aplicar e desenvolver a técnica aos problemas da relação de casal. (1)(2)(3)
Foi o responsável pela introdução de Bert Hellinger em Espanha em 1999, apresentando o seu trabalho com as constelações familiares à comunidade de terapeutas.
Autor best-seller e conferencista internacional, Joan Garriga estudou detalhadamente as constelações como visão sistémica, fenomenológica, existencial e humanista. (4) É hoje uma das principais referências desta linha terapêutica e de trabalho de desenvolvimento pessoal no mundo, participando em diversos cursos terapêuticos e de formação na Europa - Espanha, Portugal, Itália, Rússia, França, Suíça, Finlândia, Bulgária - e na América - Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile, México, Peru, Equador, Colômbia, Guatemala, Venezuela, República Dominicana, Costa Rica e EUA
Publicou vários livros que abordam temas centrais como a parentalidade e a relação pais-filhos (5), a relação de casal, as raízes e influências transgeracionais e a espiritualidade (6), a filosofia para uma vida realizada e a arte de bem viver (7), o bem como o processo de transformação pessoal (8) e a abordagem das constelações familiares (4).
É presença assídua em revistas, jornais, programas de televisão e rádio, onde partilha a sua visão terapêutica e filosófica, abordando questões como os vínculos familiares, as dinâmicas da relação de casal, a psicoterapia, a saúde e a doença, e a abordagem das constelações familiares, entreoutros temas (9-25)
Biografia breve
Joan Garriga nasceu a 28 de novembro de 1957 em Bellpuig, uma pequena aldeia agrícola na província de Lérida, na Catalunha, Espanha.
Deixou a sua aldeia para estudar Direito na Universidade de Barcelona. Após três anos de estudos, uma inevitável crise de vocação afastou-o do Direito e fê-lo interessar-se pela arte, especialmente pelo teatro e pela criatividade.
Iniciou depois estudos de Psicologia na mesma Universidade de Barcelona, onde obteve a certificação como psicólogo clínico.
Percurso Profissional
O aprofundamento de estudos no âmbito da psicologia conduz a que em 1985 crie o Institut Gestalt de Barcelona, juntamente com Mireia Darder e Vicens Olivé. Nesta instituição trabalhou durante muitos anos como psicoterapeuta, criador de equipas, formador e supervisor em terapia Gestalt, Programação Neurolinguística e abordagens corporais. Desvinculou-se do Institut Gestalt enquanto sócio, mas continua a colaborar como profissional.
Guiado pelo seu interesse pelas abordagens criativas e cénicas, desenvolveu atividade no âmbito de abordagens de carácter vivencial e de encenação, como a terapia Gestalt e as constelações familiares. Ao longo dos anos, colaborou ocasionalmente com realizadores de teatro e de cinema, utilizando as constelações como ferramenta para explorar as subtilezas dos enredos, das personagens e o alinhamento da actuação. Durante muitos anos colaborou com o Estudio Corazza para la Actuación de Juan Carlos Corazza.
Conheceu o trabalho de Claudio Naranjo, com quem aprendeu psicoterapia integrativa, eneagrama, técnicas de meditaçãodentro da tradição budista e o uso da música como veículo de trabalho interior. Durante muitos anos colaborou também como professor, supervisor e terapeuta nos programas dirigidos por Claudio Naranjo em diferentes países
Em 1999 convida Bert Hellinger para realizar seminários em Espanha sobre constelações familiares. A aprendizagem com Bert Hellinger e o trabalho com constelações levou-o ao aprofundamento da visão sistémica na psicoterapia e desenvolvimento pessoal. Tocado e impressionado pelo trabalho de Bert Hellinger e pelos efeitos das constelaçoes familiares, sente-se empenhado no seu bom uso, no seu ensino e na sua divulgação.
Em 2006 fundou a Editoral Rigden, que publica livros de psicoterapia e espiritualidade.
Tem feito conferências e workshops em todo o mundo sobre vários assuntos, mas principalmente os relacionados com os temas dos seus livros: relação pais e filhos, relação de casal, vínculos em geral, alcançar uma vida realizada e com sentido, as perturbações da existência e sua abordagem, as constelações familiares, a terapia Gestalt, a relação de ajuda, a meditação, etc.
A sua abordagem no acompanhamento de pessoas é psicológica e também espiritual, tema amplamente desenvolvido no seu livro “Viver na Alma”. Considera que algumas etapas da viagem da vida, tais como a morte ou a doença, são tão exigentes que necessitam ser abordadas numa perspetiva mais ampla do que aquela meramente psicológica (ibid.).
Uma das suas especialidades é o tema da relação de casal, sobre o qual publicou os livros "El buen amor en la pareja" e "Bailando juntos”.
Mantém atividade e dinamiza workshops em Espanha e em diferentes pontos da América e da Europa, nomeadamente em Portugal, onde realiza anualmente workshops, desde o ano de 2022 até à actualidade (2026).
Obras publicadas
Livros publicados
Garriga, Joan (2006) ¿Donde están las monedas? El vínculo logrado entre hijos y padres. Ed. Rigden-Institut Gestalt (também publicado em português)
Garriga, Joan (2008). Vivir en el alma. Amar lo que es, amar lo que somos y amar a los que son. Ed. Rigden Institut Gestalt(também publicado em português)
Garriga, Joan (2013). El buen amor en la pareja. Cuando uno y uno suman más que dos. Ed. Destino (também publicado em português)
Garriga, Joan (2014). La llave de la buena vida. Saber ganar sin perderse a uno mismo y saber perder ganándose a uno mismo. Ed. Destino (também publicado em português)
Garriga, Joan (2020). Bailando juntos. La cara oculta del amor en la pareja y la familia. Ed. Destino(também publicado em português)
Garriga, Joan (2021). Decir sí a la vida. Ganar fortaleza y abandonar el sufrimiento. Ed. Destino (também publicado em português)
Garriga, Joan (2024). Constelar la vida. Del amor ciego al amor lúcido. Ed. Destino(também publicado em português)
Capítulos de livro
Garriga, Joan (2002). Joan Garriga describe su manera de hacer gestalt. In Naranjo, C. (Ed.) Gestalt de vanguardia (pp. 259- 274). Ediciones La Llave
Garriga, Joan (2002). Joan Garriga a propósito de las constelaciones en la gestalt. In Naranjo, C. (Ed.) Gestalt de vanguardia (pp. 275-290). Ediciones La Llave
(7) Garriga, Joan (2014). La llave de la buena vida. Saber ganar sin perderse a uno mismo y saber perder ganándose a uno mismo. Barcelona: Editorial Destino
(8) Garriga, Joan. Decir sí a la vida. Ganar fortaleza y abandonar el sufrimiento. Barcelona: Ed. Destino
Este é o artigo que elaborei originalmente, em Outubro de 2024, para a Wikipédia em português, em espanhol e em inglês. Apesar do conteúdo ser factual e bem fundamentado, foi truncado, editado por quem não conhece o tema e acabou proposto para eliminação sob o pretexto de ‘conflito de interesses’. Decidi publicá-lo aqui, no meu site, na sua forma integral e sem alterações externas, para que permaneça acessível a todas as pessoas interessadas. Pode ser lido em português, em espanhol e em inglês.
Psicólogo e gestaltista, Joan Garriga é um referência mundial das constelações familiares,. Integra na sua prática e ensino elementos de filosofia, ética e espiritualidade, que expandem e enriquecem a abordagem psicológica tradicional da terapia.
Este é um convite para quem deseja cimentar as suas aprendizagens, tanto na teoria como na prática.
Neste workshop vamos poder aprender com Joan Garriga a olhar o cliente de forma mais ampla, dentro do contexto dos seus sistemas de relações, e a depurar a atitude que o terapeuta deve ter na relação de ajuda, isto é, no encontro de adulto para adulto. Vejamos como ele aborda este tema:
“O encontro terapêutico não estabelece assimetrias significativas para além dos papéis que cada um assume; nas constelações, além disso, procura-se que a dinâmica se estabeleça num encontro entre duas pessoas igualmente adultas.
Hellinger definiu esta forma de se encontrar com o consulente através de um conceito que denominou “as ordens da ajuda”, o qual se pode resumir da seguinte maneira:
Tanto o terapeuta como o consulente são adultos igualmente responsáveis.
O terapeuta observa o cliente dentro do contexto mais amplo das suas relações.
É respeitoso com os factos, a história e o destino do consulente.
Entrega o que é e o que tem, só em resposta ao que o outro pede e unicamente aquilo que ele pode tomar e necessita.
Opera sem juízos, com plena aceitação do ser do outro” (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 149)
As “ordens do amor” descritas por Hellinger - que resumidamente se podem enunciar como pertença, hierarquia e equilíbrio - são fáceis de compreender e até de assimilar, mas não foi intenção do seu autor criar um código de conduta, uma grelha diagnóstica ou uma fórmula para correcção das relações.
Vejo-as como uma heurística valiosa: a sua utilização deve manter-nos sempre nesse estado de indagação aberta, um não-saber e não-compreender, no centro vazio onde o movimento pode surgir. Como se incorporam na prática
Joan Garriga articula-o assim:
“Costumo dizer que existem cinco perguntas que me guiam em cada consulta. Estas cinco questões, que considero uma forma de aplicar a teoria das ordens do amor ao trabalho prático em constelações, são as seguintes:
O que ou quem tem de ser integrado no coração do sistema para evitar que alguém sofra ao representá-lo?
Que lugar devemos ocupar claramente, para evitar inquietações e sofrimentos para todos?
Que equilíbrio na relação deve ser restabelecido ou reequilibrado para que ninguém tenha problemas?
Que destinos devem ser respeitados para evitar a sua repetição?
O que é que estava separado e agora necessita ser unido e reconciliado?” (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 106)
Este é um workshop vivencial, o que significa que aprenderemos a partir dos casos e situações que se apresentem. Será dada a possibilidade a todas as pessoas que o queiram fazer de se proporem a colocar o seu tema. Quem constela proporciona aprendizagens a todos os participantes que se encontram no círculo.
É um workshop adequado a quem queira continuar a amadurecer a sua prática terapêutica, mas também para qualquer pessoa interessada em conhecer e experimentar esta técnica transformadora.
As constelações são uma ferramenta que ajuda o cliente a ir ao encontro da sua verdade. Contudo, “não são uma panaceia, se não se fizerem acompanhar de um processo terapêutico sólido ou de uma decidida vontade de crescer como seres humanos e em desenvolver a nossa consciência.” (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 91) dificilmente levarão à transformação desejada.
E porque toda a transformação carece de um movimento de assentimento, ASSENTIMENTO É FELICIDADE é o mote que escolhemos para este encontro presencial ímpar.
No seio familiar há factos que magoam, debilitam, envergonham ou ferem e às vezes o sistema tenta proteger-se deles através do silêncio, relegando-os ao esquecimento; sem ter em conta que os silêncios têm consequências e obstam à força e à saúde do grupo, frequentemente comportando implicações e sacrifícios. É preciso integrar aquilo que magoou ou devastou, para que isso perca o seu poder e possa permanecer no passado. Todos vivemos não apenas na nossa individualidade, mas vinculados a redes - especialmente a familiar, ainda que existam outras - que nos influenciam e até nos governam, ainda que não as compreendamos. Nessas redes, o amor por si só não garante o bem-estar, o amor não é suficiente, ele necessita de ordem. O amor unido a essa ordem é aquilo que designamos por bom amor. O bom amor reconhece-se porque nos conduz ao bem-estar, à vida, ao benefício e à realização. O bom amor pressupõe que já evoluímos emocionalmente no sentido de respeitar e assentir ao que já se passou, aos dons e às feridas dos que nos precederam, em vez de nos enredarmos nestas últimas, repetindo-as ou mostrando aos nossos antepassados uma fidelidade mal compreendida através da nossa infelicidade. Assim, pois, o bom amor permite-nos avançar um pouco, no sentido de mais vida, tanto em termos de bem-estar como de felicidade. Um claro objectivo das constelações familiares é o de ordenar o amor, plasmá-lo numa boa geometria das relações humanas, que inclua todos sem excepção, igualmente dignos de respeito e de consideração, cada um no lugar vincular que lhe corresponde e nutrindo-se reciprocamente, de maneira que possam crescer em vez de sofrer. Esse é o bom amor que se estimula nas constelações familiares.
Joan Garriga (2020). Bailando Juntos. La cara oculta del amor en la pareja y en la familia. Ediciones Destino
Impressões sobre o workshop de Joan Garriga “Constelar a Vida” no Porto, nos dias 29 e 30 de Junho 2024.
Por dois dias suspendemos o quotidiano, imersos noutro mundo, mundos de outrem, onde nos reencontramos, recompondo e incorporando partes. Vivências de onde vamos saindo lentamente. De um workshop com esta intensidade raramente se sai dele no dia seguinte.
O magnetismo das constelações em parte está no facto de deixar uma impressão que não é meramente mental, fica gravada na emoção e no corpo, leva a uma compreensão que arrebata. Tal acontece no contacto com o que é doloroso. Quanto mais tentamos buscar fora de nós, tanto mais encadeados e cegos permanecemos, teimosamente evitando compreender que é no atravessar da dor que se pode tocar a felicidade. Somos sempre escravos daquilo de que não temos consciência. Tornando-nos conscientes, tornamo-nos livres, no sentido em que já não somos afectados por; a dor já não nos escraviza.
“Sofremos porque padecemos da falta de presença e porque há espaços vivenciais dentro de nós que estão excluidos ou escindidos da nossa atenção. Excluimos a tristeza ou a raiva; excluimos a dor pungente que sentimos face a um abuso; excluimos muitas coisas que percebemos como difíceis, dolorosas e desagradáveis ou que não encaixam com o que se espera de nós ou com a nossa auto-imagem idealizada. Excluímos também, afastando-as da nossa consciência, sensações corporais.” (Joan Garriga1)
E assim fomos constelando vidas neste workshop, pela impecável mão de Joan Garriga. Ali onde se cala, onde a dor não se sabe, onde não se vê a saída do labirinto, com amor, atenção e presença Garriga entra em ressonância, aponta cirurgicamente o que está escindido. E as frases surgem-lhe de forma natural e eficiente, incentivando o reconhecimento.
“Eu não faço constelações, acompanho o cliente durante a constelação”, afirmou Joan Garriga. As constelações em si não são nada, senão pelo diálogo que permitem estabelecer entre terapeuta e cliente: um meio de confrontar a identidade que se teceu na trama da rede dos vínculos de cada um; sondar a narrativa interiorizada, desconhecida de tão repetida. Acompanha o cliente ajudando-o a habitar-se mais completamente, conduzindo-o ao ponto onde pode crescer.
Por mais que se pretenda querer atribuir “causa sistémica” ao sofrimento (consistindo esta tentativa, muitas vezes, numa forma mais de distanciamento) é no próprio que a dor tem de fazer eco, ressoar até à sua assimilação.
Significa que o cliente em constelações, a pessoa que quer constelar uma questão pessoal, está disponível para este acto corajoso de prestar atenção às suas emoções, sensações e juízos e para suspender, ainda que temporariamente, os automatismos egóicos que lhe permitiram fintar a dor. E dando à dor utilidade, acolhe a oportunidade de compreender e crescer com ela. Por isso é tão importante ter clareza sobre o problema que se quer trabalhar, evitando cair em falsas memórias, auto-enganos e ideologias que afastam a verdade.
E "(…) que pode ser melhor para quem procura psicoterapia que esta forma de revelação súbita e minuciosa, sem ser descritiva. À semelhança do haiku, que Octavio Paz2 disse ser uma espécie de “poesia desenhada”, esta técnica revelava-se uma psicologia gráfica, convocando a um entendimento sincrético, poupando-nos o embaraço de explicações confusas, de intelectualizações. Fascinante!” (Eva Jacinto3).
1 Joan Garriga e David Barba (2024). Constelar la vida. Del amor ciego al amor lúcido. Ediciones Destino.
2 Octavio Paz e Eikichi Hayashiya (tradutores e editores) (1992). Matsuo Bashô. Sendas de Oku. Benrrido.
3 Eva Jacinto (2020). Transitando Consciências. Memória de Processo Pessoal de Aprendizagem para Aceder a Membro Facilitador Titular da AECFS - Asociación Española de Constelaciones Familiares y Sistémicas (não publicado).
Para se ser feliz não precisamos de acrescentar nada, pelo contrário, temos de subtrair: largar imagens interiorizadas, despedir-nos de ideias pré-concebidas, soltar visões cristalizadas que infalivelmente deturpam, nos afastam do outro e da realidade, em suma, desaprender.
A felicidade é o nosso estado natural, se nos permitirmos dizer o grande Sim. Contudo…
Aderir incondicionalmente à realidade não é tão fácil, dado que as nossas imagens interiores estão sempre presentes, lutando contra a própria realidade e impedindo que ela nos sustente e que a ela nos entreguemos. (Joan Garriga, 2014)*
O apego às imagens é um estado emocional que nos faz acreditar que se a realidade não for de tal ou tal forma, não conseguiremos ser felizes; coloca-nos num estado de permanente reactividade, de divergência, que gera ainda mais imagens.
E como conseguimos passar de um estado ao outro? Pondo-nos em contacto com as nossas imagens interiores, relacionando-nos com as nossas experiências emocionais, sobretudo as mais sombrias.
Se conseguirmos afastar um pouco essas imagens interiores (abra-se parênteses, retirar-lhes o painel de controlo), a realidade vem ao nosso encontro tal qual como é e a todo o instante. (Ibid.)
Isto exige-nos um perseverante processo de tomada de consciência, portanto, de contacto com, e de desapego, na sequência do qual a mudança ocorre de modo natural e sem esforço, sobretudo sem o esforço da vontade.
E tomando-a [à realidade], agradecemos; e agradecendo a tomamos. E então estaremos profundamente de acordo em ser quem somos, tal como somos, a cada momento. E assim entregamo-nos e expandimo-nos cada vez mais e com isso servimos e sentimo-nos apoiados. (Ibid.)
Sábios, filósofos, teólogos e místicos de todos os quadrantes tentam ensinar-nos isto. Apenas podem apontar-nos a direcção, pois a vivência não se pode obter pelas palavras. Se assim fosse, mais não seria que (mais uma) programação.
O ponto de partida das constelações familiares é a projecção das imagens internas que a pessoa tem sobre as suas relações pessoais e sobre o lugar que ocupa nos pequenos grupos a que pertence. A mudança psicológica que o processo das constelações familiares põe em marcha ocorre por via da transformação das imagens internas. É uma experiência tocante, levando ao contacto com as imagens interiores, produz compreensão (muitas vezes súbita) do sentido de determinados comportamentos e situações repetitivas em que a infelicidade radica.
Nos dias 29 e 30 de Junho de 2024, Joan Garriga estará no Porto para conduzir um workshop de constelações intitulado “Constelar a Vida”, título também do seu mais recente livro - Constelar la Vida (2024) -, onde irá abordar os grandes temas da viagem da vida, as constantes que pautam a nossa viagem existencial: vínculo, reciprocidade nas relações e lugar de pertença de cada um.
Junte-se a nós nesta jornada de descoberta com este psicoterapeuta que com perspicácia e bom humor tão sabiamente facilita o trabalho da constelação.
Eva Jacinto, 05 Junho 2024
* Joan Garriga (2014). La llave de la buena vida. Saber ganar sin perderse a uno mismo y saber perder ganando a uno mismo. Ed. Destino. (Texto traduzido por Eva Jacinto)
Qual é então o sentido do casal? Por que razão somos impulsionados para ele? O que é que é possível viver, dar, esperar e obter da relação de casal?
Como já expliquei, uma das necessidades mais profundas dos seres humanos é a necessidade de pertencer, de estar em contacto, de sentir-se amorosamente unido com outras pessoas. Somos impulsionados para a relação de casal em primeira instância porque somos mamíferos e necessitamos do toque, do calor; porque somos seres vinculares, empáticos, amorosos, generosos e ao mesmo tempo necessitados. De sorte que vivemos habitualmente num estado de carência, de falta, ao mesmo tempo que de abundância e grandeza,albergamos o desejo e a esperança de dar e receber e de encontrar através do outro um caminho de companhia e um aconchego existencial que nos nutra.
Se fossemos crocodilos, répteis de sangue frio, as nossas necessidades seriam outras, mas para um mamífero não há maior necessidade do que a de fazer parte de um colectivo e estar em contacto com outras pessoas. Ainda que talvez nada nos falte sob uma perspectiva espiritual, no plano das paixões humanas há algo que tem de ser acalmado, liberado ou preenchido: necessitamos encontrar a plenitude nas nossas relações e acalmar a nossa sede de dar e receber amor. Isto permite-nos transcender o eu: passar ao nós, à união.
Joan Garriga In El Buen Amor en la Pareja (2013). Ediciones Destino.