O Bom Amor

O Bom Amor

Por Joan Garriga



No seio familiar há factos que magoam, debilitam, envergonham ou ferem e às vezes o sistema tenta proteger-se deles através do silêncio, relegando-os ao esquecimento; sem ter em conta que os silêncios têm consequências e obstam à força e à saúde do grupo, frequentemente comportando implicações e sacrifícios. 
É preciso integrar aquilo que magoou ou devastou, para que isso perca o seu poder e possa permanecer no passado. Todos vivemos não apenas na nossa individualidade, mas vinculados a redes – especialmente a familiar, ainda que existam outras – que nos influenciam e até nos governam, ainda que não as compreendamos. Nessas redes, o amor por si só não garante o bem-estar, o amor não é suficiente, ele necessita de ordem. O amor unido a essa ordem é aquilo que designamos por bom amor.
O bom amor reconhece-se porque nos conduz ao bem-estar, à vida, ao benefício e à realização. O bom amor pressupõe que já evoluímos emocionalmente no sentido de respeitar e assentir ao que já se passou, aos dons e às feridas dos que nos precederam, em vez de nos enredarmos nestas últimas, repetindo-as ou mostrando aos nossos antepassados uma fidelidade mal compreendida através da nossa infelicidade. Assim, pois, o bom amor permite-nos avançar um pouco, no sentido de mais vida, tanto em termos de bem-estar como de felicidade.
Um claro objectivo das constelações familiares é o de ordenar o amor, plasmá-lo numa boa geometria das relações humanas, que inclua todos sem excepção, igualmente dignos de respeito e de consideração, cada um no lugar vincular que lhe corresponde e nutrindo-se reciprocamente, de maneira que possam crescer em vez de sofrer. Esse é o bom amor que se estimula nas constelações familiares.
 
Joan Garriga (2020). Bailando Juntos. La cara oculta del amor en la pareja y en la familia. Ediciones Destino 

Tradução do castelhano de Eva Jacinto

Imagem: Benedetto Cristofani

Pela impecável mão de Joan Garriga

Pela impecável mão de Joan Garriga

Impressões sobre o workshop de Joan Garriga “Constelar a Vida” no Porto, nos dias 29 e 30 de Junho 2024.

A felicidade acontece-nos

A felicidade acontece-nos

A felicidade

Nos dias 29 e 30 de Junho de 2024, Joan Garriga estará no Porto para conduzir um workshop de constelações intitulado “Constelar a Vida”, título também do seu mais recente livro – Constelar la Vida (2024) -, onde irá abordar os grandes temas da viagem da vida, as constantes que pautam a nossa viagem existencial: vínculo, reciprocidade nas relações e lugar de pertença de cada um.

Quando um mais um somam mais que dois

Quando um mais um somam mais que dois

PARA QUÊ, ENTÃO, O CASAL?

Por Joan Garriga*

Qual é então o sentido do casal? Por que razão somos impulsionados para ele? O que é que é possível viver, dar, esperar e obter da relação de casal?

Como já expliquei, uma das necessidades mais profundas dos seres humanos é a necessidade de pertencer, de estar em contacto, de sentir-se amorosamente unido com outras pessoas. Somos impulsionados para a relação de casal em primeira instância porque somos mamíferos e necessitamos do toque, do calor; porque somos seres vinculares, empáticos, amorosos, generosos e ao mesmo tempo necessitados. De sorte que vivemos habitualmente num estado de carência, de falta, ao mesmo tempo que de abundância e grandeza,  albergamos o desejo e a esperança de dar e receber e de encontrar através do outro um caminho de companhia e um aconchego existencial que nos nutra.

Se fossemos crocodilos, répteis de sangue frio, as nossas necessidades seriam outras, mas para um mamífero não há maior necessidade do que a de fazer parte de um colectivo e estar em contacto com outras pessoas. Ainda que talvez nada nos falte sob uma perspectiva espiritual, no plano das paixões humanas há algo que tem de ser acalmado, liberado ou preenchido: necessitamos encontrar a plenitude nas nossas relações e acalmar a nossa sede de dar e receber amor. Isto permite-nos transcender o eu: passar ao nós, à união.

Joan Garriga In El Buen Amor en la Pareja (2013). Ediciones Destino.

Tradução do espanhol por Eva Jacinto 

JOAN GARRIGA – WORKSHOP_PORTO, 2024

JOAN GARRIGA – WORKSHOP_PORTO, 2024

Um workshop aberto a todos. Apropriado para pessoas interessadas no seu desenvolvimento pessoal, para pessoas que desejem trabalhar assuntos problemáticos das suas vidas, tais como dificuldades nos relacionamentos (familiares, de casal, laborais), temas relativos a doenças, luto, comportamentos aditivos, difíceis ou destrutivos, padrões de infelicidade, etc.
Indicado também para pessoas que se dedicam a profissões de ajuda e que tenham interesse em aprender sobre a abordagem da visão sistémica e das constelações familiares com utilidade para o seu trabalho.

Brevemente estarão disponíveis as inscrições para o workshop de constelações familiares dirigido por Joan Garriga no Porto, nos dias 29 e 30 de Junho 2024.

Subscreva as novidades do site (ao fundo desta página) para receber as notícias.

JOAN GARRIGA - PORTUGAL, PORTO, 2024

A ARTE DO BOM AMOR

A ARTE DO BOM AMOR

Joan Garriga – Excerto do artigo EL ARTE DEL BUEN AMOR

Publicado no jornal La Vanguardia em 12-06-2013

Ao trabalhar com os problemas das pessoas, descobrimos que muitas não se assentam naquilo que lhes vem dos pais (os quais simbolizam a vida), preferindo recusar-se a tomar o que receberam, pensando que assim se resguardam daquilo que lhes parece ser negativo. No entanto, dessa forma raramente se encontram em paz consigo próprias e com a vida, não dando aquilo que têm para dar.
Em vez disso, empobrecem-se e limitam-se, colocam-se em posições de vitimização ou de ressentimento ou outras posições de sofrimento. Tomar o que vem dos pais, mesmo que isso inclua feridas dolorosas, e trabalhar emocionalmente sobre isso parece funcionar como uma espécie de salvo-conduto para alcançar o bom amor e também como um antídoto contra muitos males: induz-nos a assumir a responsabilidade pela nossa própria vida e a renunciar a jogar jogos psicológicos invalidantes, cheios de sofrimento, por exemplo, com o nosso cônjuge, com os filhos ou com o contexto profissional.

Adolfo Serra



Em relação aos nossos iguais, a regra é a de manter as relações equilibradas, garantir a paridade e a igualdade de posição. Damos, tomamos, compensamos, equilibramos e somos livres. E se continuamos juntos, é fazendo uso da nossa liberdade e não por nos sentirmos em dívida ou como credores. É um clássico nos conflitos de casal, onde costuma haver desequilíbrios na relação, de tal maneira que um dos membros pode sentir-se devedor ou credor e depois já não conseguem olhar-se nos olhos um do outro com confiança e abertura do coração.

Em suma, ajuda muito às pessoas e às famílias que haja uma ordem: ordenar o amor, plasmá-lo numa boa geometria das relações humanas, na qual todos sem excepção estejam incluídos e igualmente dignos de respeito e de consideração, cada um no lugar exacto que lhe corresponde e nutrindo-se uns aos outros de tal maneira que consigam crescer em vez de sofrer. Aqui está, pois, o bom amor.

Joan Garriga. El Arte del Buen Amor. Artigo do jornal La Vanguardia, publicado em 12-06-2013.
Acedido aqui: https://www.lavanguardia.com/cultura/20130612/54375903295/constelaciones-familiares-arte-amor.html
Excerto traduzido do espanhol por Eva Jacinto 
Desenho original de Adolfo Serra