Psicólogo e gestaltista, Joan Garriga é um referência mundial das constelações familiares,. Integra na sua prática e ensino elementos de filosofia, ética e espiritualidade, que expandem e enriquecem a abordagem psicológica tradicional da terapia.

Este é um convite para quem deseja cimentar as suas aprendizagens, tanto na teoria como na prática. 

Neste workshop vamos poder aprender com Joan Garriga a olhar o cliente de forma mais ampla, dentro do contexto dos seus sistemas de relações, e a depurar a atitude que o terapeuta deve ter na relação de ajuda, isto é, no encontro de adulto para adulto. Vejamos como ele aborda este tema:

O encontro terapêutico não estabelece assimetrias significativas para além dos papéis que cada um assume; nas constelações, além disso, procura-se que a dinâmica se estabeleça num encontro entre duas pessoas igualmente adultas. 

Hellinger definiu esta forma de se encontrar com o consulente através de um conceito que denominou “as ordens da ajuda”, o qual se pode resumir da seguinte maneira:

  1. Tanto o terapeuta como o consulente são adultos igualmente responsáveis.
  2. O terapeuta observa o cliente dentro do contexto mais amplo das suas relações.
  3. É respeitoso com os factos, a história e o destino do consulente.
  4. Entrega o que é e o que tem, só em resposta ao que o outro pede e unicamente aquilo que ele pode tomar e necessita.
  5. Opera sem juízos, com plena aceitação do ser do outro
    (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 149)

As “ordens do amor” descritas por Hellinger - que resumidamente se podem enunciar como pertença, hierarquia e equilíbrio - são fáceis de compreender e até de assimilar, mas não foi intenção do seu autor criar um código de conduta, uma grelha diagnóstica ou uma fórmula para correcção das relações.

Vejo-as como uma heurística valiosa: a sua utilização deve manter-nos sempre nesse estado de indagação aberta, um não-saber e não-compreender, no centro vazio onde o movimento pode surgir. Como se incorporam na prática

Joan Garriga articula-o assim:

“Costumo dizer que existem cinco perguntas que me guiam em cada consulta. Estas cinco questões, que considero uma forma de aplicar a teoria das ordens do amor ao trabalho prático em constelações, são as seguintes:

  1. O que ou quem tem de ser integrado no coração do sistema para evitar que alguém sofra ao representá-lo?
  2. Que lugar devemos ocupar claramente, para evitar inquietações e sofrimentos para todos?
  3. Que equilíbrio na relação deve ser restabelecido ou reequilibrado para que ninguém tenha problemas?
  4. Que destinos devem ser respeitados para evitar a sua repetição?
  5. O que é que estava separado e agora necessita ser unido e reconciliado?”
    (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 106)

Este é um workshop vivencial, o que significa que aprenderemos a partir dos casos e situações que se apresentem. Será dada a possibilidade a todas as pessoas que o queiram fazer de se proporem a colocar o seu tema. Quem constela proporciona aprendizagens a todos os participantes que se encontram no círculo.

É um workshop adequado a quem queira continuar a amadurecer a sua prática terapêutica, mas também para qualquer pessoa interessada em conhecer e experimentar esta técnica transformadora.

As constelações são uma ferramenta que ajuda o cliente a ir ao encontro da sua verdade. Contudo, “não são uma panaceia, se não se fizerem acompanhar de um processo terapêutico sólido ou de uma decidida vontade de crescer como seres humanos e em desenvolver a nossa consciência.” (Joan Garriga, Constelar la Vida, p. 91) dificilmente levarão à transformação desejada.

E porque toda a transformação carece de um movimento de assentimento, ASSENTIMENTO É FELICIDADE é o mote que escolhemos para este encontro presencial ímpar.

 

Eva Jacinto

 

Fotos de Gui Galembeck