SEXUALITY & CONSTELLATION WORK

SEXUALITY & CONSTELLATION WORK

Is it possible to address sexual issues through the use of this tool? The answer is yes. There has already been someone who has dedicated to this subject – Ali Mezey, body therapist, Somatic counsellor, sexologist and constellation facilitator.

Recently at the AECFS – Asociación Española de Constelaciones Familiares y Sistémicas congress, which took place in Seville from 7 to 10 March 2024, Ali Mezey gave a brilliant workshop demonstrating her work, under the title “Constellations, Body and Sexuality”. I’ll come back to that in a moment.

Ali calls her work Personal Geometry®. As she explains, it is an approach that she developed based on family constellations and foundations developed by Bert Hellinger while integrating the knowledge of body approaches that she has deepened throughout her career as a body therapist and sexologist.  

Using mats on the ground, Ali invites the client to draw a diagram of the problem-situation. The therapeutic work is based on a constant dialog between the spatial information contained in this diagram and the information that is being poured out through the client’s body. The visuo-spatial information is grasped intuitively and in constant reference to the bodily experience at the moment, and not understood in a purely intellectual way. The result is a gradual broadening of the understanding of the problem, the assimilation of its foundations, an apprehension of what is behind the initial image. The client actively appropriates his/her different parts, gaining progressive insight.

Using coloured post-its representing three elements – the heart, the genital organs and the person themself – Ali Mezey asked participants at the workshop to configure them on a sheet of A4 format paper. After this, she asked who wanted to present their personal diagram to the group, now using large coloured mats. It was interesting to see the large number of participants who resolutely offered to do so. The large room was filled with colourful triads. 

But reality took Ali in an unexpected direction: when she approached the first participant who was willing to explore his diagram, he ended up being the only one Ali worked with. Faced with the sensitivity manifested by this participant, testimony of his urgency, openness and willingness to be touched by a therapeutic work, Ali could no longer take her attention off him.

Because of this we all had the opportunity to witness Ali conducting a complete session.

The participants, mainly therapists and psychotherapists, were captivated and seduced by her subtle and precise way of treating the situation, by the way she helped the client to overcome his own defensive strategies, cleverly bypassing them until penetrating the embodied information. It was an intense, surgical and delicate work. The serenity achieved by the patient testified to this..

How does such a simple-looking exercise in a short space of time can reach such depth? Ali Mezey carries out a rigorous transduction of the information from the client’s system, diagramed  in space, manifested through the body, emotions, and words, scrupulously respecting the rhythm of her client’s revelations. In resonance with the client, and in permanent body-to-body listening.

Feeling brings your mind into your matter, and your mind brings your awareness to feeling – a phrase taken from her website – that is the fertile process where transformation lies.

Her approach has been used with good therapeutic results in cases of anorgasmia, erectile dysfunction, difficulties with gender identity, trauma and sexual abuse, but also with issues such as dysmorphia and eating disorders. Cases of addiction, particularly to sex and drugs, have also been treated successfully, as this method proves to be suitable for patients who are in a more dissociated state, disconnected from their emotions or desensitized from their bodies.

But reality took me by surprise, too. Simultaneous translation using artificial intelligence, presented as a hopeful novelty at this congress, proved to be ineffective and caused a lot of dissatisfaction. So it was necessary to improvise a consecutive translation – neither prepared nor planned – from American English into Spanish, by a Portuguese woman who is not a professional translator, nor has she ever done such a task, especially at an international congress!

I would also like to mention Ali Mezey’s contribution to the round table entitled “Further work after a constellation?”, which I myself moderated. 

The aim of this panel was to listen to the opinions of experienced psychotherapists on the following question: are constellations interventions of a single session or does the client need further work to integrate the images that their constellation has revealed? I’ll return to this topic at a later date with further extension. 

Ali Mezey stated that constellation work makes it easier to overcome egoic defenses and narratives that support the problem. And this potentiality can be used to access embodied information, boosting the therapeutic process in a more penetrating and rapid way than conventional therapies. She concluded by saying that ideally, professionals in these therapies could agree to be partners with those who facilitate constellations, resulting in significant gains for clients.

Eva Jacinto
26-03-2024

CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEXUALIDADE?

CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEXUALIDADE?

CONSTELAÇÕES FAMILIARES E SEXUALIDADE?

Será possível abordar questões sexuais através desta técnica? A resposta é sim. Já houve alguém que se dedicou a este tema – Ali Mezey, terapeuta corporal, terapeuta de Somatic, sexóloga e facilitadora de constelações.

Recentemente no congresso da AECFS – Asociación Española de Constelaciones Familiares y Sistémicas, que decorreu em Sevilha entres os dias 7 e 10 de Março 2024, Ali Mezey fez um brilhante workshop demonstrativo do seu trabalho, sob o título “Constelações, Corpo e Sexualidade”. Já aí voltamos.

Ali denomina o seu trabalho por Personal Geometry® (Geometria Pessoal). Trata-se, conforme explica, de uma abordagem que desenvolveu com base nas constelações familiares e fundamentos desenvolvidos por Bert Hellinger e integrando os conhecimentos das abordagens corporais que foi aprofundando ao longo da sua carreira como terapeuta corporal e sexóloga.  

Através do uso de marcadores no solo convida o cliente a fazer um diagrama da situação-problema. O trabalho terapêutico desenvolve-se com base num constante diálogo entre a informação espacial contida nesse diagrama e a informação que vai sendo vertida através do  corpo. A informação visuo-espacial é apreendida de forma intuitiva e em constante referência à vivência corporal no momento, não sendo compreendida de forma meramente intelectual. O resultado é uma  ampliação gradual da compreensão do problema, da assimilação dos seus fundamentos, da apreensão do que está no reverso da imagem inicial. O cliente vai-se activamente apropriando das suas diferentes partes, ganhando progressivo insight.

Através de post-its coloridos que representavam 3 elementos – o coração, os orgãos sexuais e a própria pessoa – Ali Mezey pediu para que os participantes do seu workshop os configurassem numa folha de papel A4. Após este processo, perguntou quem queria expor ao grupo, agora usando marcadores coloridos grandes, o seu diagrama pessoal. Foi interessante ver a grande quantidade de participantes que de forma resoluta se ofereceram para o fazer. O salão ficou repleto de tríades coloridas. 

Mas a realidade trocou as voltas a Ali: dirigindo-se ao primeiro participante que se dispôs a explorar o seu diagrama, acabou por ser o único a trabalhar com ela. Face à sensibilidade que o participante manifestava, testemunho da sua premência, abertura e predisposição para ser tocado por um trabalho terapêutico, Ali não mais pode retirar-lhe atenção. 

Deste modo todos tivemos a oportunidade de presenciar a condução de uma sessão completa.

Os participantes, mormente terapeutas e psicoterapeutas, compenetrados e seduzidos face ao seu trato subtil e preciso, ao modo como ia ajudando o cliente a superar as suas próprias estratégias defensivas, contornando-as inteligentemente até penetrar na informação encerrada no seu corpo. Foi um trabalho intenso, cirúrgico e delicado. A serenidade alcançada pelo seu paciente foi disso testemunho.

Como é que um exercício de aparência tão simples e num curto espaço de tempo permite chegar a uma tal profundidade? Ali Mezey faz uma rigorosa transdução da informação do sistema do cliente, plasmada no espaço, manifestada através do seu corpo, das suas emoções, das suas palavras, respeitando escrupulosamente o ritmo das deduções do seu cliente. Em ressonância com ele,  em permanente escuta de corpo a corpo.

Feeling brings your mind into your matter, and your mind brings your awareness to feeling – uma frase retirada do seu site, que se poderia traduzir por “o sentir traz a mente à matéria e a mente traz consciência ao sentir” – é neste fértil processo que reside a transformação.

A sua abordagem tem sido usada com bons resultados terapêuticos em casos de anorgasmia, disfunção eréctil, dificuldades ao nível da identidade de género, trauma e abuso sexual, mas também com questões como a dismorfia e as perturbações alimentares. Também os casos de adicção, nomeadamente a sexo e drogas têm sido tratados com sucesso, já que este método se revela propício para pacientes que se encontram num estado mais dissociado, em desconexão com as suas emoções ou insensibilizados.

Mas também a mim a realidade trocou as voltas. A tradução simultânea através da Inteligência artificial, apresentada como esperançosa novidade neste congresso, revelou-se ineficaz e produziu muito insatisfação. Assim, foi necessário improvisar uma tradução consecutiva – não preparada nem prevista – de inglês americano para espanhol, feita por uma portuguesa que não não é tradutora profissional, nem nunca tinha feito tal tarefa, para mais num congresso internacional!

Uma nota ainda relativamente aos contributos de Ali Mezey à mesa redonda sob o título “Trabalho adicional após uma constelação”, cuja moderação esteve sob a minha responsabilidade.  Pretendia-se com esta mesa ouvir a opinião de psicoterapeutas experientes relativamente à seguinte questão: as constelações são intervenções únicas ou o cliente necessita de trabalho posterior para integrar as imagens que a sua constelação revelou? Noutro momento retomarei este tema com outra extensão.

Ali Mezey afirmou que o trabalho da constelação facilita a superação das defesas egóicas e das narrativas que sustentam o problema. E essa potencialidade pode ser usada para aceder à informação in-corporada nas sensações e emoções, impulsionando o processo terapêutico de forma mais penetrante e rápida que as terapias convencionais. Concluiu dizendo que idealmente os profissionais destas terapias poderiam ser parceiros daqueles que facilitam constelações, resultando em ganhos expressivos para os clientes.

Eva Jacinto
26 Março 2024